segunda-feira, 9 de março de 2009

Smoke lover. The love-free log – Day 4

Porquê amor?
Uma relação de mais de dez anos, dois maços por dia, não me parece que seja apenas uma paixão... mas um amor patológico, alimentado, sim, por uma pequena, mas saciante chama.
É algo que um nunca-fumador provavelmente nunca saberá o que é. E digo nunca-fumador, porque se tende a generalizar a classe de não-fumadores, quando na realidade há dois lotes absolutamente distintos, os nunca-fumadores e os ex-fumadores. Já agora, por ex-fumador, defina-se já, alguém que fumou inveteradamente, durante muito tempo, nada desses casos de -"Ah! porque eu até fumava, mas deixei quando tinha 20 anos, até porque sou mais forte que um rolito de papel.” … sinceramente... -"WTF?!?" portanto, alguém que REALMENTE foi fumador.
Voltando a esse amor que os fumadores partilham, e que, por sinal, é salutarmente altruísta, partilhando esse pequeno momento de prazer com os seus congéneres envoltos numa ténue, mas intrigante névoa.
Como qualquer amor digno de registo, a um certo ponto, questionamo-nos se nos dá realmente tanto quanto nos tira. Será sempre uma resposta intermitente, o catarro será sempre esquecido a cada subtil kick de um bafo de nicotina. Mas o bichinho de um ligeiro incómodo fica sempre atrás da orelha, até que aquele amor tão inocente se torna num monstro, numa perfeita relação de amor ódio. O ódio do cheiro, dos dedos amarelos e os pulmões entupidos… o amor pelos momentos de clarividência, concentração absoluta ou só companhia…
Pesa, reflecte, esquece e volta a pensar. Reduzo tudo a um processo intelectual, e tomo um passo cujos argumentos já há muito se esgotaram, e se voltavam a esgotar cada vez que pensava… que devia… divorciar-me.

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