Olho, apenas olho,
Retenho apenas manchas desfocadas,
Manchas sobre manchas,
Cores de tão dissonantes pinceladas.
Esgotou-se o vento, as palavras,
Ficou apenas a paisagem,
Talhada pelo caminho,
De tão sinuosa viagem.
Pergunto-me se foi uma batalha,
ou uma explosão de amor etéreo,
a calma não me revela respostas,
Apenas me concede esse doce mistério.
Algures ouço o choro de alguém,
Alguém chora por ninguém,
Alguém que chora mais a sorte que a dor…
Lágrimas tão silenciosas e indulgentes,
Quanto o silencio de afectos prudentes
E a avareza de amor.
Viro costas,
Aperto na mão esta ferramenta preciosa,
Tomo-lhe novamente o peso e sorrio…
Avanço sobre a paisagem virgem e generosa,
Abro o meu caminho,
A estrada vai ser larga e certa,
Tão larga quanto o tamanho da alma que o talha,
Esta alma que a minha mão aperta.
sexta-feira, 22 de setembro de 2006
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