sábado, 28 de maio de 2005

sonhos

Sustento a alma neste silencio frio
Com visões do meu sorrir
Nos reflexos improváveis deste mar.
Pouso pedra sobre pedra nas franjas do vazio
No impulso de fugir
Recorto o horizonte para de longe o contemplar.
Liberto-me na solidão
Dispo-me do coração, dos lábios e da pele
De todos os que se aquecem na paixão
E vicio-me no silencio apenas por ser cruel,
Neste silencio que odeio,
Silencio que adormece a vontade
Que proibe qualquer grito de liberdade
O silencio que amo.
Sinto o chão onde os meus pés pousam
As minhas asas recolhidas
As forças adormecidas.
Porque os meus actos não ousam?
Porque ficam as expectativas feridas,
Nas palavras adormecidas...
Contemplo o horizonte que esculpi só para mim
Onde os olhos pousam nunca verão verdade
Embalado por esta solidão sem fim
Adormeço para toda a eternidade.


sexta-feira, 20 de maio de 2005

Fábula do pó

A camada de pó que reveste esta esfera azul, resistente a qualquer mulher-a-dias, foi-se entranhando nas suas imperfeições, toldando-lhe o brilho, mas conferindo-lhe o aspecto e o cheiro das velharias que tanto apreciamos.
No entanto todos os grãos partilham um pergunta...
Será que a nossa esfera, o nosso jardim sob a abóbada celeste, é de cristal?
Facilmente descobrimos uma forma de responder á nossa pergunta, e, durante alguns séculos esperamos pacientemente a resposta que adivinhamos eminente.
Afirmam os mais sábios, que, com toda a certeza, quando partir (ou estalar, conforme a qualidade), nos deliciaremos com o tilintar requintado que apenas a melhor percentagem de chumbo oferece, e poderemos, orgulhosamente, exibir não uma velharia, mas uma relíquia, digna dos melhores museus da galáxia!!!

Flash Stars

A contemporaneidade é rica em novos conceitos de grande aceitação das massas que se tornam verdadeiras revoluções sociais. No inicio da época do "Fast-consuming" já o Andy Warhol tinha vaticinado os "fast stars" ao afirmar que todos temos direito aos nossos quinze minutos de fama. Quase quatro decadas volvidas foram os média a aperceber-se da mina que é o desejo de visibilidade das massas.É-me dificil escolher perante tantos argumentos que se afiguram para classificar este fenómeno.
Por um lado os média têm um papel de terapia psiquiátrica ao oferecer aos individuos uma chance de ultropassar inseguranças sociais acumuladas no seu crescimento pessoal a troco não de raros euros mas da abundante privacidade. Por outro abandonam-nos no momento crítico do "S.P.C." (sindrome pós celebridade), já consigo imaginar a Praça da Liberdade cheia de uma turba de cartazes apoiados em braços á beira de um esgomento, que resultarão tão simplesmente numa clausula adicional "-A cadeia de televisão não se responsabiliza pelos possiveis efeitos do estrelato e ainda menos pelos prováveis efeitos do esquecimento".
Por um lado a população compra a sua prateleira no hipermercado social com N.P.A.'s (neo-pseudo-adjectivos) valiosos, tipo -Metrósexual, -RTV (Real-Tv-Star porque a lingua de Shakespeare é mais sonante do que a de Camões), nunca de uma forma auto assumida, mas convencendo outros a rotularem-nos, para parecer mais fidedigno. Por outro lado, estas designações são efémeras pois rápidamente a classe dos Média criará outros N.P.A.'s que farão dos anteriores obsoletos e teremos de granjear fama para a aquisição de uma nova prateleira.
Por um lado, acredito no mérito próprio, alguém é reconhecido pelas qualidades específicas que mostra, e ganha notoriedade pelo seu virtuosismo. Por outro a sociedade tende a criar as suas vacas sagradas com base na capacidade que têm em diverti-la quer pelo ridiculo quer pela oferta da sua intimidade.Por um lado, torna-se um pouco irritante aturar essas Fast Stars que ocupam espaço na comunicação social que poderia ser dedicado ao mérito, por outro a sociedade vai impreterivelmente condenando ao esquecimento as suas vacas sagardas, ritmando a ascensão e queda da sua visibilidade em "very Fast", transforma as "Fast Stars" em "Flash Stars".
Tudo bate certo.
O negócio humano atrasou-se um pouco em relação ao fast-food, fast-picture, fast-washing, fast-art, fast-money, fast-love...
Na época do "e-everything" como conceito dominante, e-branding, e-money, e-time, e-talking, e-love.. não nos parecem pouco familiares..."fast-human" não parece tão mau quanto "e-human".
Tudo continua a bater certo?
Isto é um e-artigo.....