quarta-feira, 11 de março de 2009

Smoke lover. The love-free log - day 7

E heis que ao 7º dia descobriu a religião!

calma...

certo...

Hoje, devido aos acontecimentos em catadupa, senti-me no limite da minha sanidade mental, no fio da lamina da dramática decisão...
[ acendo, ou não? ]

Pelos vistos andei este tempo todo a pregar a agnostia (ou uma outra qualquer patologia similar) e afinal é num dia banal que a gnose me cai aos pés, e mal de mim, em vez de a chutar, parece que me contagiei ou como terei de dizer agora, me iluminei, ou coisa qualquer de espiritualista-capitalista-pós-moderno-mas-de-esquerda-fashion-e-coisa-e-tal do género.

Bom, começando pelos sintomas,
a) Ultimamente talvez pela carencia de nicotina ou pela absorção de nicotina pela derme (tipo bicho que respira pela pele), ando a ter experiencias extra-sensoriais do género de não conseguir pensar o suficiente para saber se estou acordado ou a dormir, ou submerso num lago de água choca, em estado catatónico, cujo garante das minhas funções vitais é um pequeno adesivo agrafado nas costas.

b) Depois dou por mim imbuído por uma raiva divina e desfaço estoica e compulsivamente pacotes inteiros de trident como se só por rebentar com as gengivas garantisse um paraíso (e porque não umas quantas virgens).

c) Depois, depois bem... Deu-me uma gana de sugar um cigarro até ao caramelo e heis que se deu o tal episódio da luz, controlei-me tão só e apenas por fé!!! por algo intangivel e inexplicavel, tipo... fé mesmo.

d) Por fim, heis que surge o dogma. -"Fumar faz mal e se não fumar serei infinitamente feliz" porquê? não sei, mas é assim! dúvidam? epá é verdade, não me provoquem!

conclusão provada pelas alineas a), b), c) e d): Religião - Ex-Fumador

dia 7 - Fumador por vontade mas ex-fumador (ainda praticante) por religião

segunda-feira, 9 de março de 2009

Smoke lover. The love-free log - day 5

-"Estás certo que é isto que queres?
Excluir-me dos teus dias,
banir-me dos pequenos rituais?"
[sem que lhe responda, responde-se a si]
-"Privares-te dos pequenos prazeres...
em que em silencio, em cada chama,
surge a empatia, em pequenas intimidades..."
[continuo mudo... e continua]
-"Se partilhamos os pequenos e os grandes segredos,
se é a mim que chamas,
por tudo e por nada,
por raiva, amor, tédio ou paixão,
ou só porque sim...
Se te envolvo na névoa,
e te abrigo do mundo,
se me absorves como coragem,
e me soltas como retórica,
se me soltas como penunmbra,
e nela te escondes...?"
[faz silencio, e do meu silencio faz a sua voz]
-"Pois bem, se parto,
condeno-te a pensares em mim,
sempre que quiseres pensar,
e sempre que quiseres esquecer!"
[deitou a lingua de fora, e partiu num rasto de fumo...]
[e eu? continuo em silêncio, mordo a lingua, e desejo... um dia... mas não hoje.]

dia 5 - ainda sem fumar (O.o) !

Smoke lover. The love-free log – Day 4

Porquê amor?
Uma relação de mais de dez anos, dois maços por dia, não me parece que seja apenas uma paixão... mas um amor patológico, alimentado, sim, por uma pequena, mas saciante chama.
É algo que um nunca-fumador provavelmente nunca saberá o que é. E digo nunca-fumador, porque se tende a generalizar a classe de não-fumadores, quando na realidade há dois lotes absolutamente distintos, os nunca-fumadores e os ex-fumadores. Já agora, por ex-fumador, defina-se já, alguém que fumou inveteradamente, durante muito tempo, nada desses casos de -"Ah! porque eu até fumava, mas deixei quando tinha 20 anos, até porque sou mais forte que um rolito de papel.” … sinceramente... -"WTF?!?" portanto, alguém que REALMENTE foi fumador.
Voltando a esse amor que os fumadores partilham, e que, por sinal, é salutarmente altruísta, partilhando esse pequeno momento de prazer com os seus congéneres envoltos numa ténue, mas intrigante névoa.
Como qualquer amor digno de registo, a um certo ponto, questionamo-nos se nos dá realmente tanto quanto nos tira. Será sempre uma resposta intermitente, o catarro será sempre esquecido a cada subtil kick de um bafo de nicotina. Mas o bichinho de um ligeiro incómodo fica sempre atrás da orelha, até que aquele amor tão inocente se torna num monstro, numa perfeita relação de amor ódio. O ódio do cheiro, dos dedos amarelos e os pulmões entupidos… o amor pelos momentos de clarividência, concentração absoluta ou só companhia…
Pesa, reflecte, esquece e volta a pensar. Reduzo tudo a um processo intelectual, e tomo um passo cujos argumentos já há muito se esgotaram, e se voltavam a esgotar cada vez que pensava… que devia… divorciar-me.